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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Ego


O Ego tem fome, muita fome...
Ele se alimenta de verdades relativas, de mentiras, de ódio, raiva, de mágoa, de ofensas,de crenças , ideologias, de vingança,de recalque, de desamor, enfim, de todos os sentimentos que te impulsionam a provar alguma coisa para os outros e para você mesmo.
O Ego é insaciável,quanto mais o alimenta, mais ele quer,depois cochila satisfeito dentro de você que fica exaurida , sem energia,pois desperdiçou seu bem mais precioso,o momento presente.
Fique atento...quando ele der sinais de que quer alimento, pense...no olhar curioso e admirado de uma criança, no olhar agradecido de um mendigante quando você  lhe oferece um alimento, no riso solto de bobagens ditas, soltas no ar, na estranha alegria que sentimos quando uma  lágrima  cisma em cair após um gesto de carinho. 
Nossos segundos, minutos e dias estão repletos de sensações maravilhosas que preenchem nossa alma. Viver o presente e se sentir pleno com o que temos.
E o Ego...
Dorme profundamente! 
Mas está sempre atento e faminto, esperando uma oportunidade para se manifestar.



sábado, 23 de novembro de 2013

Mais um conto lindo de Paulo Cesar Magdalena

A cor

por pccmagdalena
o dia amanheceu cinza,como sempre.Ele tomou seu café cinza, com seu pão cinza.Vestiu seu terno cinza, se despediu de sua mulher com um beijo cinza e saiu de sua casa cinza.Entrou no seu carro cinza e se foi para o seu emprego cinza.
No escritorio encontrou mais uma vez seus colegas cinzas,Deu um bom dia cinza a todos e sentou-se em sua cadeira cinza em frente a sua mesa cinza.E começou mais um dia cinza de trabalho.
Mais uma vez faria seu trabalho cinza até a hora de ir embora para casa.
Ao chegar em sua casa cinza depois de mais um dia de trabalho cinza,iria direto para o banheiro e tomaria um banho cinza.
Depois jantaria uma comida cinza .Na televisão,estaria passando mais um programa cinza.
Faria um amor cinza com sua mulher.cinza.
Depois ficaria acordado sem conseguir dormir, pensando no tempo que sua vida era cheia de cores.
Mas desde o dia que desistiu dos seus sonhos,as cores foram se afastando dele, e só ficou a cor cinza.
Finalmente vencido pelo cansaço dormiria na sua cama cinza, com seus travesseiros cinzas.Mais uma noite cinza na sua vida cinza.
Então as 7 horas da manhã o despertador cinza tocaria uma musiquinha cinza e o acordaria ..
Mais uma vez ele se levantaria lentamente,e com esperança no coração, olharia pela janela.
porem o que iria ver apenas provocaria nele um longo suspiro de resignação..
o dia amanheceria cinza..
pccmagdalena

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A jogadora




Marília estava acabando de colocar roupa no varal, parou, deitou na rede ,e pôs-se a divagar...
Lembrou da infância, das brincadeiras, do balé que não acabou de fazer, dos sonhos normais de criança quando queria ser uma grande bailarina depois freira,por conta da série "A noviça rebelde", depois professora e tantos outros sonhos não realizados.De tudo que tinha começado e deixou sem terminar...
Pensou,que fiasco foi sua vida...o sonho, ser jornalista, mas era covarde e não lutou pelo sonho,pensou depois eu faço...e não fez.Tinha se formado para ser professora,por vontade do pai e da mãe, ou professora ou dentista, jornalismo esqueça!
Não apostou em sua profissão, mais um jogo perdido...
Morava no interior, seu pai era comerciante, não se preocupava muito, tinha uma vida boa, carro,e tudo que queria. Cuidou dos irmãos, pois sua mãe foi embora, foi "viver", falava que aquilo não era vida. Cuidou do seu jeito, era só uma adolescente de 16 anos, o pai já com seus 60 anos,mas com seus vícios ainda assim era um pai amoroso,dava tudo que pediam,pecava pelo excesso .
Namorou um cara todo certinho,o futuro estaria garantido,uma vida normal,mas casou com o cara todo errado, as coisas muito certas lhe davam tédio,gostava de arriscar. Casou, separou depois de 16 anos , de tentativas e apostas, acabou, criou as filhas sozinha, sem dinheiro suficiente, trabalhando muito, mas sem profissão definida.
Seu pai arriscava no jogo e quase sempre perdia, Marília arriscava na vida, apostava todas as fichas e acabou perdendo algumas partidas e ganhando outras.
Mas saiu com um premio que para ela era uma fortuna,suas filhas, lindas companheiras,sempre unidas.
Amou mais caras fora do padrão da normalidade, sofreu e aprendeu um pouco mais sobre o jogo da vida.
Nesse momento,parou e pensou alto,
-nossa como cheguei até aqui...tive empresa, quebrei, tentei novamente, amei me enganei, sempre apostando...
-minhas filhas casadas trabalhando...
-um neto que é a razão da minha vida ...
-sou uma mal agradecida, vivi e vivo intensamente,chorei muito, ri muito amei e ainda amo tudo demais,que fiasco que nada, sou uma jogadora como meu pai e o jogo ainda não acabou.
Levantou-se acabou de pendurar a roupa e foi feliz viver...

Jane Izar

De Paulo Cesar Magdalena...lindo!


Minha alma é tão velha ,tão antiga,que ainda canta cantigas de roda.
E quando as crianças rodavam nos braços das mães e viam as nuvens no céu passarem tão rápidas que ficavam tontas e davam gargalhadas da tonteira.
Ah, as gargalhadas..quanto tempo não me escapa da alma uma sonora gargalhada,daquelas de rir ate doer a barriga, das lagrimas saírem dos cantinhos dos olhos, e fazer soluçar de felicidade.
Minha alma é tão velha,mas teima em sonhar,mesmo quando não há mais sonhos,mesmo quando não mais tempo para sonhos, mesmo quando não há mais tempo e nem sonhos, mesmo assim minha alma sonha....

pccmagdalena